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Apeadeiro da Mata

Apeadeiro da Mata

15
Dez21

A Fonte D’Ordem!

Francisco Carita Mata

Um Testemunho do Passado! A “Caraça” da Fonte da Ordem!

Caraça fonte da ordem. Foto original. 2021.02.01.jpg

Um relato de um motim e duas quadras alusivas.

Só hoje consigo voltar às Fontes. E, especificamente, à Fonte D’Ordem, a partir de sugestão de “Aquém – Tejo”! Outros afazeres…

A “Fonte D’Ordem”, da Ordem, frise-se, Ordem Militar de Malta, será das fontes mais antigas da Aldeia. Era uma fonte de mergulho, de que me lembro muito bem. Foi remodelada, isto é, fechada, certamente na época em que arranjaram também a “Fonte das Pulhas”, cuja data está registada: 1989. Deduzo eu, que não confirmei, indaguei ou pesquisei especificamente.

No referente à Fonte das Pulhas, de que me lembro, também muito bem, ser de mergulho, penso que agiram corretamente. A água é boa, é relativamente abundante. Algumas pessoas vão lá buscar água. Nós, também. Assim é bem aproveitada. A ser de mergulho, seria menos apetecível de recolher o precioso líquido.

Fonte da ordem. Foto original. 2021.07.09. jpg

Quanto à Fonte D’Ordem, penso que teria ficado melhor como estava, testemunhando um modelo de fonte antiga. Desde que me lembro, anos sessenta, a respetiva água era considerada imprópria para consumo. Todavia está como documentam as fotos e não há nada a fazer. Acontece nas mais variadas situações, lugares e tempos, efetuarem-se obras nos mais diversos testemunhos do passado, alterando-os, sem que daí advenham especiais benefícios. (Tenho dito!)

Fonte da Ordem. Foto original. 2021.12.01.jpg

Essa categorização de “imprópria para consumo” é anterior aos anos sessenta. Não sei precisar data exata.

Essa ação desencadeou, nomeadamente, um motim sobre que João Guerreiro da Purificação, no seu livro póstumo, “a nossa terra”, Edição “Há Cultura”, 2000, pag. 148, relata o seguinte: «…Nessa época, a Fonte d'Ordem era muito procurada pelo povo, e como nas nossas fontes se sentia uma enorme falta de água, o povo amotinou-se quando as autoridades a mandaram entupir a pretexto de ser imprópria para consumo, logo numa altura de tanta escassez. Só que o povo não lhes deu ouvidos, principalmente as mulheres, que se encheram de coragem e desentupiram a fonte, para as continuar servindo com a sua água. (…)

Na ocasião do motim, o Senhor Joaquim Paulo Sequeira, inspirado com o sucedido, fez umas quadras, das quais só consegui saber as duas que se seguem.

Eu cá sou a Fonte d’Ordem

Meu nome não é de negar

Tanto ao rico como ao pobre

Eu ajudei a criar.

 

Foi enorme ingratidão

Mataram-me sem razão

Pois quando me pediam água

Eu jamais disse não.»

Carranca da Fonte da Ordem. Foto Original. 2021.12.01.jpg

E, por agora, me fico por aqui. Que ainda voltarei às Fontes. E, em Poesia!

Saúde! E, Obrigado!

 

 

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