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Apeadeiro da Mata

Apeadeiro da Mata

17
Jan22

Fontes Públicas da Aldeia

Francisco Carita Mata

Síntese Avaliativa

Na senda de divulgação do Património de Aldeia da Mata, publicámos vários postais, inicialmente em “Aquém-Tejo” e, após a criação de “Apeadeiro da Mata”, principalmente neste blogue.

Sobre as pontes, as ribeiras, as fontes, as passadeiras, as paisagens, monumentos geológicos, a casa-museu, as ruas, as casas…

Também Património Imaterial: Poemas de vários conterrâneos, cantigas tradicionais, lengalengas

Em “Apeadeiro”, o último grande tema desenvolvido foram as Fontes. Através de fotos, de algumas opiniões e comentários meus e, muito especialmente, dos “Livros do Srº João, em prosa e em verso:

Sobre as Fontes, apresentei postais sobre:

Fonte de Alter

Fonte de Alter. Foto Original. 2021.12.01.jpg

Fonte do Boneco

Fonte do Boneco. Foto original. 2021.12.01.jpg

Fonte da Ordem

Fonte da Ordem. Foto original. 2021.07.09.jpg

Fonte da Bica

Fonte da Bica. Foto original. 2021.07.09.jpg

Fonte do Salto

Fonte do Salto. Foto Original. 2021.07.11.jpg

Fonte das Pulhas

Fonte das Pulhas. Foto Original. 2021.07.08.jpg

As três últimas são as que dispõem de melhores águas, sendo, todavia, diferentes. São também as que são mais procuradas. São as três aonde também vamos com mais ou menos regularidade.

Algumas considerações se me oferecem referir:

É imprescindível limpar todos os anos o espaço circundante das fontes. A respetiva pintura não precisará de ser anual, todavia com a regularidade necessária. Os caminhos arranjados, segundo as possibilidades.

As respetivas arcas e a água existente, limpas interiormente, também de forma periódica.

As águas destas três últimas fontes, as que são mais procuradas, deveriam ser analisadas com a regularidade possível.

É fundamental criar “Percursos Pedestres” na Aldeia, que incluam as Fontes, as Passadeiras e as Pontes. Devidamente organizados, publicitados, promovidos, são suscetíveis de atrair pessoas.

(Três destas fontes foram incluídas, em meados de 2021, num Percurso Pedestre Histórico, que parte do Mosteiro de Flor da Rosa e termina na Anta de Aldeia da Mata. São elas, as Fontes do Boneco, da Ordem e da Bica. Percurso esse que, sendo histórico, paradoxalmente, não inclui as “Alminhas”!)

 

Os utentes das Fontes deverão ter o cuidado de não deixarem lixos e, sempre que possam, deslocar-se a pé até elas. Andar a pé, caminhar, faz muito bem à saúde. Se não puderem com um garrafão, levem uma garrafa.

 

E já que estamos em “maré eleitoral”, nas últimas “Eleições Autárquicas”, uma das candidaturas propunha criar um “Parque de Merendas” na Fonte do Salto. Discordo em absoluto dessa proposta. O espaço é curto e acidentado para tal fim e o pior de tudo, seria uma fonte de lixos, de todas as naturezas e feitios. A Fonte, de certeza, caso pudesse opinar, também discordaria.

Deixem a Fonte como está, cumprindo a sua função primordial: fornecer água a quem lha pedir, que a dá de muito boa vontade. Não a regateia.

Bebam boas águas, SFF. Andem a pé! Ide à Fonte, com regularidade! 

 

Caro/a Leitor/a, se tivesse que escolher uma Fonte, qual delas escolheria?

Muito Obrigado!

 

11
Nov21

"Vamos dar de beber… à Dor"?

Francisco Carita Mata

Em “Dia de São Martinho” é o que apetece, não?!

Mas não. Vamos beber, sim, mas ainda na Fonte da Bica e num texto original.

Fonte da Bica. Geral. 2021.09.01.jpg

A Fonte da Bica: Descrição de J. Guerreiro da Purificação

«A Fonte da Bica»

Fonte, aspeto central. Foto original. 2021.09.01.jpg

«As nascentes vêm de duas minas do terreno do Senhor António Marques, ou seja, do chão que fica em frente quando se sobe a azinhaga onde está a arca, a pouca distância desta. Estas minas foram abertas pelo Senhor Joaquim Paté Caldeira (o Ti Torrado).

Arca da Fonte. Foto original. 2021.07.09.jpg

A arca desta fonte foi feita depois de ter havido um desastre na primeira. Um caso estranho e que passo a contar. A primeira arca da fonte estava construída no meio da azinhaga, um pouco mais acima da direcção da actual, mas soterrada para o trânsito ficar livre. Mas um dia aconteceu que uma vaca do Senhor José Durão, o antigo dono do terreno onde estão as minas, meteu as patas por entre os cascões de pedra que tapavam a arca. Depois, só com a ajuda de vários homens conseguiram tirar de lá o animal.

Azinhaga acima da Arca da Fonte. Foto original. 2021.07.09.jpg

A Fonte da Bica, é das fontes da terra, a mais procurada pelo nosso povo. Há uns anos, antes de haver água canalizada e a Aldeia com mais povoação, a água desta fonte no Verão era todos os anos muito pouca, o que originava a tão maçadora “espera”.»

A Bica. Foto original. 2021.09.01.jpg

In. “A Nossa Terra” – Purificação, João Guerreiro da – Há Cultura / Associação de Amizade à Infância e Terceira Idade de Aldeia da Mata, 2000. Pag.s 146, 147.

Arca da Fonte. Enquadramento geral. Foto original. 2021.07.09.jpg

(João Guerreiro da Purificação – Aldeia da Mata – 10/07/1927 – 17/12/1997.)

Fonte da Bica. Geral. Foto Original. 2021.07.09.jpg

Continuo a divulgar as “Fontes de Aldeia”, ilustrando os postais com imagens globais ou parcelares das mesmas.

Divulgo igualmente textos do livro supracitado, de Autoria do “Senhor João”. Assim vou dando a conhecer parte do Património material e imaterial, referente a Aldeia da Mata. Estes textos contêm referências à localidade, reportando-se a um tempo muito diverso daquele que conhecemos hoje.

O “trânsito” referido reporta-se a carros movidos por tração animal: muares: machos, mulas, burros, burras e vacas. O episódio referenciado menciona uma situação dessas. Situar-se-á aí pelos anos trinta, quarenta, do séc. XX. Talvez! Até finais dos anos setenta ainda havia muitos carros puxados por tração animal. Os carros motorizados, em Portugal, só se generalizaram a partir da segunda metade desta década, mercê da melhoria generalizada das condições de vida, especialmente das classes trabalhadoras.

Outro termo citado, a “espera”. Refere-se ao facto de, no Verão, as nascentes das fontes serem mais fracas, pelo que corria menos água nas bicas. Como a procura era bastante, dado não haver água canalizada, as pessoas que iam às fontes, quase exclusivamente as mulheres, ficavam esperando, na respetiva “vez”, isto é, ordem de chegada, até que a água voltasse a correr na bica. Para encherem os cântaros, os asados, as infusas.

Lembro-me da instalação da água canalizada na Aldeia e da abertura de canos por todas as ruas. Corria o ano de 1966! A instalação dos esgotos ocorreu bem depois. Já nos finais de setenta ou inícios de oitenta. (Não me lembro com precisão.)

Mas não pense que estas situações de carências de bens e serviços que hoje consideramos básicos eram especificas das Aldeias. Eram comuns nas Cidades também. Atingiam proporções e condições ainda bem piores do que ocorria no Interior. Basta lembrar os “bairros de lata”, que enxameavam toda a Grande Lisboa!

Nos terrenos do supermoderno “Parque das Nações” existia a célebre “Lixeira de Beirolas”. Frisar que foi a “Expo 98”, que despoletou a requalificação de todo aquele espaço.

Só para lembrar este Portugal, ainda recente, que fomos!

Muito Obrigado e Muita Saúde!

 

10
Nov21

Fonte da Bica: Quadras de J. Guerreiro da Purificação

Francisco Carita Mata

Fonte da Bica. Estrutura base. Foto original. 2021.07.09.jpg

«Fonte da Bica»

 

«Com paciência de velhinha

A transparecer de contente

Vens com a água fresquinha

Matando a sede à gente.

 

És rainha dos segredos

Das fontes da nossa terra

Também tens fama de medos

De há muito a esta era.

 

Humilde fonte da bica

Cercada de olivais

Quem te esquece, a dever fica,

Quem não te esquece, dá ais.

 

Ninguém sabe agradecer

As muitas sedes que mataste

Quem sabe se alguém ao beber

Alguma vida salvaste.

 

Os filhos da nossa terra

Que longe ganham seu pão

Lembram-se bem como era

Beber água na mão.

 

É lindo e tem sentido

Esta maneira de beber

Mas a dor fica contigo

Se alguém te vai esquecer.

 

Se bebo a tua água

Renasce-me a minha vida

De contente volta a mágoa

Ao lembrar a despedida.

 

Tens o Ribeirinho, por namorado,

Que te beija a toda a hora

E lá em cima o povoado

Zelando-te pelo tempo fora.

 

Nas noites quentes de verão

Com rouxinóis a cantar

Enche-nos de alegria o coração

Beber da tua água ao luar.

 

A fama dos teus medos

Que há muito de ti vem

Já não seriam segredos

Se não os guardasses tão bem.»

 

In. “ANTA” - Poesias. Pag. 19 - De João Guerreiro da Purificação. Aldeia da Mata – 1992.

 

Fonte da Bica. Aspeto Geral. Foto Original. 2021.07.09.jpg

P.S. – Com este postal, continuo na divulgação de Património de Aldeia da Mata.

Material: as Fontes, neste caso, a da Bica.

Imaterial: Poesia, de João Guerreiro da Purificação.

Espero que tenha gostado, Caro/a Leitor/a.

 

 

09
Nov21

Fonte da Bica: Fotos Gerais.

Francisco Carita Mata

Fonte da Bica I. Foto original. 2021.07.09.jpg

Fonte já integrada nos “Percursos Pedestres”, como se pode verificar na foto primeira.

Fonte da Bica II. Foto original. 2021.07.09.jpg

Dir-me-á que não será boa altura de andar por aí, pelas Fontes...

Fonte da Bica III. Foto original. 2021.09.01.jpg

Por acaso até considero que é. Está um pouco mais frio, é certo. Mas o nosso clima é o que é e já aí está o “Verão de São Martinho”! Quase coincidiu com o “… dos Marmelos”!

E estes passeios são sempre saudáveis. Bem sei que muita gente saudável anda na colheita da azeitona. Valentes! Mantêm a tradição e aproveitam um recurso precioso. Parabéns!

Mas voltando à Fonte. Apresento vários excertos fotográficos.

Fonte da Bica IV. Foto original. 2021.09.01.jpg

Desde logo o nome: … da Bica! Certamente das primeiras a ter essa funcionalidade: uma bica. Quando as outras seriam de mergulho. Digo eu! Na foto anterior: a bica e o"ladrão". Que até nas fontes os há! (...)

A "Arca da Fonte"

A Arca da Fonte. Foto original. 2021.07.09.jpg

A conduta de transporte da água até à fonte, aproveitando ou servindo também de muro. Funcionalidades. Inteligência prática de antepassados.

Conduta da água. Foto original. 2021.07.09.jpg

O respiradoiro da água.

Igualmente funcional e devidamente protegido! Em fundo, imagens da Aldeia.

Respiradoiro da água. Foto Original. 2021.07.09.jpg

Outra funcionalidade: o poço. A jusante. E a respetiva bomba manual que enchia os bebedouros do gado.

Poço e bomba manual. Foto original. 2021.09.01.jpg

Quando havia vacas e muares e estes e aquelas iam beber à água remanescente da fonte ou do poço, quando a da fonte escasseava! Agora, sobra e desperdiça-se!

A fonte e várias das funcionalidades.

E as ovelhas chocalheiras.

Fonte e ovelhas. Foto Original. 2021.09.01.jpg

Algumas já terão figurado noutros postais. Nomeadamente num sobre "Oliveira Milenar", que se acha bem perto da Fonte. É só seguir para a "Fonte da Baganha".

Aventure-se! A pé! SFF!

E sobre as Fontes: Não será conveniente que, periodicamente, as respetivas águas sejam analisadas?! E devidamente aproveitadas por todos nós?!

Digo eu...

Saúde! E Obrigado!

 

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