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Apeadeiro da Mata

Apeadeiro da Mata

05
Jul22

Chegaram as Amoras… Abalaram os Figos!

Francisco Carita Mata

De São João, frise-se.

Os figos de São João estão mesmo a ir-se embora. E eu, este ano, sem os cheirar sequer.

Figos Abebos. Chão Atafona. Foto original. 2022.06.25.jpg

Temos comido alguns figos, mas não da variedade mencionada. Comemos dos que estão documentados na foto. A Mãe chama-lhes “Figos abebos” (?!). Não sei.  Os de São João não temos nenhuma figueira. Já tive uma plantada, mas secou-se, julgo que em 2019. Há uns anos trouxe um ramo da figueira que há no quintal da minha sogra, abacelei, transplantei para o “Vale de Baixo”, julgando que era de São João. Mas, afinal, era de “pingo - mel”. A figueira original fora enxertada pelo meu sogro com duas variedades de figos. Situação frequente, antigamente, pelas pessoas que se dedicavam a estas lides agrícolas e hortelãs. Quando cortei o ramo para abacelar, pensando levar da do São …, levei da do Pingo… Também gosto muito deste tipo de figos. Já produz há vários anos, mas é lá mais para Setembro. Já documentei no blogue.

De São João todos os anos abundam na figueira do “Quintal de Dr. Agostinho”. Todos os anos! Mas quem os come são os melros, também as melras, certamente; os estorninhos, esses nem se fala. Voam em bandos, batem todas as figueiras nos quintais, hortas e hortejos da povoação. Desta variedade, a mais apreciada nesta época, talvez de todas. São os melhores figos, penso eu. Mesmo sem os ter provado esta safra. Dão cabo deles todos. Como, habitualmente, os proprietários não estão por cá nestas alturas, são os pássaros que os debicam e depenicam todos os verões. Também vão às nossas, mas as do Santo são as preferidas. Também costumo observar, mais esporadicamente, um ou outro papa-figos. Também observei um corvo fugindo da figueira! E, neste início de Verão, também vi, este ano, uma ave que desconhecia e me pareceu talvez uma pega azul. Será possível?!

Mas deixemo-nos de passaradas… que ainda me comem os figos. Estes que fotografei no final de Junho também já não há praticamente na figueira. E onde fica ela?!

No canto sudoeste do Chão da Atafona, mesmo no limite, quase, quase no Vale de Baixo”, mesmo junto ao portão. Se for à “Fonte das Pulhas”, ao “Porcos unho”, à água ou às amoras, e houver figos a que chegue, não se acanhe. Colha e coma! Não é preciso dizer, qualquer pessoa faz isso e “colher figos não é roubar”. Nunca foi, pelo menos deste os tempos do “Novo Testamento”. Conhece a parábola da figueira?!

Tenho algumas estórias com isto de colher figos. Algum dia conto.

Por aqui me fico, que estes figos já se foram… ou vão indo.

E não há mais figos?!

Claro que haverá, lá mais para Setembro, até mesmo ainda em Agosto.

Ah! E, em Agosto, também virão os Figos da Índia. Sim! Mas esses é outra história!

E, agora, já temos as amoras.

Passeie. Vá ao campo, pela fresca. Mas... Não deixe lixo, SFF!

 

17
Jan22

Fontes Públicas da Aldeia

Francisco Carita Mata

Síntese Avaliativa

Na senda de divulgação do Património de Aldeia da Mata, publicámos vários postais, inicialmente em “Aquém-Tejo” e, após a criação de “Apeadeiro da Mata”, principalmente neste blogue.

Sobre as pontes, as ribeiras, as fontes, as passadeiras, as paisagens, monumentos geológicos, a casa-museu, as ruas, as casas…

Também Património Imaterial: Poemas de vários conterrâneos, cantigas tradicionais, lengalengas

Em “Apeadeiro”, o último grande tema desenvolvido foram as Fontes. Através de fotos, de algumas opiniões e comentários meus e, muito especialmente, dos “Livros do Srº João, em prosa e em verso:

Sobre as Fontes, apresentei postais sobre:

Fonte de Alter

Fonte de Alter. Foto Original. 2021.12.01.jpg

Fonte do Boneco

Fonte do Boneco. Foto original. 2021.12.01.jpg

Fonte da Ordem

Fonte da Ordem. Foto original. 2021.07.09.jpg

Fonte da Bica

Fonte da Bica. Foto original. 2021.07.09.jpg

Fonte do Salto

Fonte do Salto. Foto Original. 2021.07.11.jpg

Fonte das Pulhas

Fonte das Pulhas. Foto Original. 2021.07.08.jpg

As três últimas são as que dispõem de melhores águas, sendo, todavia, diferentes. São também as que são mais procuradas. São as três aonde também vamos com mais ou menos regularidade.

Algumas considerações se me oferecem referir:

É imprescindível limpar todos os anos o espaço circundante das fontes. A respetiva pintura não precisará de ser anual, todavia com a regularidade necessária. Os caminhos arranjados, segundo as possibilidades.

As respetivas arcas e a água existente, limpas interiormente, também de forma periódica.

As águas destas três últimas fontes, as que são mais procuradas, deveriam ser analisadas com a regularidade possível.

É fundamental criar “Percursos Pedestres” na Aldeia, que incluam as Fontes, as Passadeiras e as Pontes. Devidamente organizados, publicitados, promovidos, são suscetíveis de atrair pessoas.

(Três destas fontes foram incluídas, em meados de 2021, num Percurso Pedestre Histórico, que parte do Mosteiro de Flor da Rosa e termina na Anta de Aldeia da Mata. São elas, as Fontes do Boneco, da Ordem e da Bica. Percurso esse que, sendo histórico, paradoxalmente, não inclui as “Alminhas”!)

 

Os utentes das Fontes deverão ter o cuidado de não deixarem lixos e, sempre que possam, deslocar-se a pé até elas. Andar a pé, caminhar, faz muito bem à saúde. Se não puderem com um garrafão, levem uma garrafa.

 

E já que estamos em “maré eleitoral”, nas últimas “Eleições Autárquicas”, uma das candidaturas propunha criar um “Parque de Merendas” na Fonte do Salto. Discordo em absoluto dessa proposta. O espaço é curto e acidentado para tal fim e o pior de tudo, seria uma fonte de lixos, de todas as naturezas e feitios. A Fonte, de certeza, caso pudesse opinar, também discordaria.

Deixem a Fonte como está, cumprindo a sua função primordial: fornecer água a quem lha pedir, que a dá de muito boa vontade. Não a regateia.

Bebam boas águas, SFF. Andem a pé! Ide à Fonte, com regularidade! 

 

Caro/a Leitor/a, se tivesse que escolher uma Fonte, qual delas escolheria?

Muito Obrigado!

 

12
Nov21

As Passadeiras do Porcosunho! (Porcos unho?!)

Francisco Carita Mata

Sabe o que são Passadeiras, Poldras ou Alpondras?!

Passadeiras Porcozunho. Foto Original. 2021.10.31.jpg

Consultemos a nossa Lexicoteca:

«Alpondras, s.f. pl. (de a+poldras). Pedras que se colocam umas a seguir às outras num rio, de modo a unir as margens e a permitir, consequentemente, a passagem do mesmo a pé enxuto. Pag. 169. Vol. I

Passadeira, s.f. (de passar).1. Alpondras. Pag. 499. Vol. II

Poldras, s.f. pl. (corr. de alpondras). Pedras de passagem, entre as margens de um ribeiro; o m. q. alpondras. Pag. 652. Vol. II»

In. Lexicoteca – Moderno Dicionário da Língua Portuguesa – Círculo de Leitores – Vol I e Vol II – 1985.

*******

Passadeiras Porcosunho. Foto original. 2021.10.31.jpg

Neste postal, interrompemos, de certo modo, o ciclo das Fontes, a que voltaremos mais tarde, e apresentamos documentação sobre o título em epígrafe.

No final do mês de Outubro, coincidente também com o final de semana, dias 29, 30 e 31; sexta, sábado e domingo, choveu no Norte Alentejano.

De modo que, revivendo uma tradição infantil, no domingo, trinta e um de Outubro, ainda a chuviscar, resolvi ir à Ribeira do Porcosunho (Porcos unho?!), a ver como corria a Ribeira. A Ribeira que contorna a Aldeia é sempre a mesma. Chama-se, oficialmente, Ribeira de Cujancas. Mas, nos territórios próximos da povoação, adquire diferentes nomenclaturas, conforme os locais por onde passa perto da localidade. No sítio junto à Fonte das Pulhas, situada na respetiva margem esquerda, designa-se “Ribeira do Porcosunho”. Que nome intrigante(!) Na margem direita tem a “Horta do Porcosunho”.

As fotos exemplificam as respetivas passadeiras, singelos “monumentos” ancestrais. Nalgumas localidades, afirmam que as existentes nas respetivas ribeiras, remontam à época romana.  A água corrente, resultante das chuvadas. Olhando as margens com atenção, observa-se que terá corrido maior caudal.

A Fonte das Pulhas e o leito da Ribeira.

A Fonte e a Ribeira. Foto Original. 2021.10.31.jpg

Barrento, como resultado das chuvadas. E um saco azul! De lixo! Ainda se fosse dos outros…sacos azuis!

Caro/a Leitor/a, espero que tenha apreciado. Obrigado!

 

15
Set21

Fonte das Pulhas – Poesia

Francisco Carita Mata

Fonte das Pulhas. Foto Original. 2021.07.08.jpg

Quadras de Srº João Guerreiro da Purificação

Arca da Fonte. Foto original. 2021.07.08.jpg

«Fonte das Pulhas, quem seria

Que te deu um nome assim?

Alguém que sede trazia

Ou mentiu com algum fim.

 

Tu és fonte de mergulho

Sempre assim te conheci

Se do povo tens orgulho

O povo também tem de ti.

 

Dás de beber a quem vem lavar,

À ribeira tua vizinha,

E aos que banhos vêm dar

Nesta ribeira tão sozinha.

 

Que água boa e tão leve

Para os estômagos delicados

O povo muito te deve

E mais os adoentados.

 

Pareces estar esquecida

Neste cantinho tão feliz

Mas a tua graça é tida

Como qualquer chamariz.

 

Vem o Verão, vem o calor

Com o sol, sem dó, a queimar bem

E tu dás água com amor

A quem de muito longe vem.»

 

In. “ANTAPoesias - João Guerreiro da Purificação – Aldeia da Mata – 1992 – Edição de Autor – Gráfica Almondina, Torres Novas.

*******

P.S. – Com este postal, agora, em “Apeadeiro da Matta”, damos continuidade à divulgação de Património de Aldeia da Mata. Património Material: as Fontes, neste caso da Fonte das Pulhas e Imaterial: Poesia. De Srº João Guerreiro da Purificação. As Quadras e as ideias e sentimentos nelas expressos são, por demais, relevantes.

Espero que goste.

A fonte era de mergulho.

Atualmente, desde 1989, o local onde estava a antiga fonte de mergulho foi arranjado, protegido e, agora, é a designada “arca da fonte”. A fonte propriamente dita, com a torneira para se obter a água, está um pouco mais abaixo, quase na Ribeira do Porcozunho.

Penso que as fotos são elucidativas.

Ribeira do Porcozunho. Foto original. 2021.07.08.jpg

Apresento também fotos dos espaços envolventes, alguns bem sugestivos.

Aprecie esta imagem, SFF!

Pedras e pedras. Foto original. 2021.07.08.jpg

O que lhe sugere?!

...   ...   ...   ...   ...   ...   ...

Obrigado pela sua atenção. E votos de muita Saúde.

 

12
Set21

A Caminho da Fonte das Pulhas

Francisco Carita Mata

Hoje, a proposta de passeio é à Fonte das Pulhas.

Fonte das Pulhas. Foto Original. 2021.07.08.jpg

Sugestão: ir a pé. Faça essa caminhada, SFF. Pela sua Saúde. Bem sei que tem uma barreira um pouco difícil de subir, no regresso e exigente de cuidados a descer, na ida.

Mas vá. Com cuidados redobrados nessa zona.

Primeira recomendação: Não deixe qualquer lixo ou porcarias no caminho. Recomendação para todas as pessoas que percorrem esse caminho. Já bastam os javalis!

Muito menos nas redondezas da Fonte. Siga as recomendações do Srº João Guerreiro da Purificação, registadas em bonita quadra, num dos azulejos do singelo fontanário.

E, como "o caminho se faz caminhando…"

Azinhaga do Poço dos Cães. Foto Original. 2021.07.08.jpg

Inicia-se junto à Igreja Matriz, vai descendo, sentido Sul - Norte, pela Azinhaga do Poço dos Cães, inflete-se para a esquerda, Oeste, pela designada Azinhaga da Fonte das Pulhas ou do Porcozunho, uma vez que se dirige aos dois locais, que ambos bordejam a respetiva Ribeira do Porcozunho. A fonte, na margem esquerda, a horta, na margem direita.

(Na imagem supra, a sombra do poste indica o caminho. Na foto, lado direito, porque esta foi tirada no sentido oposto.)

Caminhos marcantes e identitários de ancestralidade, percorridos pelos nossos antepassados, ao longo de centenas ou milhares de anos, comprovados, por ex., pelas oliveiras que os bordejam, de escala temporal milenar.

Interesse-se pela vegetação autóctone: Sanguinho

Sanguinho. Foto Original. 2021.07.08.jpg

Observe a ação devastadora dos javalis

Ação dos javalis. Foto Original. 2021.07.08.jpg

Colha amoras, se for no tempo delas.

Amoras. Foto original. 2021.07.21.jpg

Um ramo de loureiro, um raminho de alecrim, no regresso. Uns figos, mas não à hora do calor. Uns figos da Índia, se for capaz.

Caminho do Porcozunho. Foto Original. 2021.07.08.jpg

Antes, beba água na fonte. Utilize o cocho.

Cocho. Foto original. 2021.07.08.jpg

Traga uma garrafa de água ou duas, se puder.

Aprecie a paisagem circundante.

Monte acima da Horta do Porcozunho. Foto Original. 2021.07.08.jpg

E, dir-me-á se é ou não é um passeio salutar! Haja Saúde!

E conseguiu ver as passadeiras ou alpondras ou poldras?!

E o nome: Fonte das Pulhas! Peculiar. O que estará na base deste nome?!

Agora, uma curiosidade literária. No livro “O Lugar das Árvores Tristes”, a Autora, Lénia Rufino, com ascendentes maternos na Aldeia, nomeia um lugar de ação da narrativa como “Fonte dos Pulos”. Será que se inspirou, de certo modo, nesta Fonte ou na Fonte do Salto?!

*******

Às Entidades competentes:

Organizem, estruturem passeios pedestres pelas Fontes

Por “Fontes, Passadeiras e Pontes…”

E aos passeantes ou utentes: Não deixem lixo. Não conspurquem o caminho!

Grato pela sua atenção!

 

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