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Apeadeiro da Mata

Apeadeiro da Mata

27
Dez22

Postal 111 – Casa: 111 anos!

Francisco Carita Mata

Acho piada a estas singularidades dos números!

Neste Postal nº 111, em “Apeadeiro da Matta”, resolvi voltar a J. P. Dias e às Obras que deixou por Aldeia da Mata, várias vezes documentadas nos blogues. (Friso que este senhor não era da minha família.)

Muito especialmente porque a nossa Casa foi mandada construir por este senhor, em 1911. Alcançou, neste 2022, 111 anos!

Esta Personalidade notável de Aldeia, tinha o comportamento peculiar de, nas Obras que fazia, deixá-las atestadas com as iniciais do nome e as respetivas datas. Não direi que em todas, pelo menos em algumas, as que conheço e documento com fotos. Que, entretanto, consegui fotografias mais nítidas em algumas delas. E é interessante tê-las todas reunidas num só postal.

E comemorar o centésimo décimo primeiro postal, post nº 111 e os cento e onze anos da minha Casa! (Apresento as fotos, pela ordem cronológica de construção das edificações. De certa maneira, reportam-nos para a sequência de vida do senhor Joaquim Pedro Dias, também conhecido por Joaquim Pedro “Cego”.)

A primeira foto atesta a obra mais antiga documentada por J. P. Dias. No batente superior da porta da Casa do proprietário, na Horta do Carrasqueiro, um verdadeiro trabalho de mestre e sabedoria, no seu todo funcional. (1896 J P D)

J P Dias. Foto original. 18.05.22.

A segunda foto, também no batente superior de porta, documenta o trabalho efetuado na adega da Casa deste senhor, sua habitação, à data, na freguesia. (J P D 3 – 900)

Adega da casa. Foto original.  07.08.21.

A terceira foto, destacada numa placa sobranceira à janela da Ermida de São Pedro! Uma das suas obras relevantes, mais especiais e significativas: (MANDOU FAZER J. P. DIAS 1901).

Ermida São Pedro. Foto original.19.11.22.

A quarta foto, na Casa que mandou construir para a sua governanta, companheira de vida, para ela usufruir enquanto viva, que, após o respetivo falecimento, reverteu para uma sobrinha em 2º grau de J. P. Dias. (J P D  7 4 1911)

Varanda da Casa. Foto Original. 18.11.22

(Nesta Obra, certamente uma das últimas que mandou fazer, deu-se ao pormenor de atestar não só o ano, também o mês e ainda o dia!)

E a quinta foto documenta um dos testemunhos mais intrigantes deste “Personagem Aldeão”. Também na Horta do Carrasqueiro, no batente superior de uma janela, na parede lateral da Casa do proprietário, virada a Nascente e em linha reta para a Anta do Tapadão!

Não consigo vislumbrar muito bem as iniciais, sacralizadas por uma Cruz! (I h S  MP CAM)

Janela da Casa do Proprietário. Foto Original. 18.05.22.

(Não tenho certeza se serão estas letras que especifico!)

(Nenhuma destas propriedades está, atualmente, na posse de herdeiros deste senhor, que era solteiro e não teve filhos. A herança reverteu para os sobrinhos e as propriedades civis foram sendo vendidas a outros proprietários, acabando por chegar aos atuais.

A Horta do Carrasqueiro é da Família Gouveia. A Casa do senhor na freguesia é da Prima Maria Constança. A Casa da companheira, que também não era da nossa Família, é a nossa Casa, adquirida pelo meu Pai a outro proprietário. A Ermida é da Paróquia.)

E, deste modo, comemoro 111 postais em Apeadeiro. E 111 anos da nossa Casa.

Festas Felizes! Excelente Ano de 2023! Bons passeios, quando o tempo melhorar!

 

05
Mar22

Sobre o Sr. J. P. Dias… ainda!

Francisco Carita Mata

Sobre o Sr. Joaquim Pedro Dias: 3º Capítulo

Narrativa sobre um Srº muito peculiar de Aldeia da Mata!

 

Este senhor viveu, em Aldeia da Mata, na segunda metade do séc. XIX e certamente primeira vintena do séc. XX, como já referimos em postais anteriores.

Neste postal nº 50, continuamos as narrativas sobre este personagem de Aldeia. Baseamo-nos na recolha oral efetuada junto de “D. Maribela”, minha Mãe, que já nasceu depois da morte deste senhor, que nunca conheceu, mas sobre quem ouviu contar várias estórias. Era cego dos dois olhos, possuidor de muitas propriedades, Lameira de Cima, Cujancas, Sampaio, Arretalhado, … E era solteiro, embora tivesse uma governanta, também “namorada”.  Não tiveram filhos, de modo que os herdeiros dele foram os sobrinhos, filhos da irmã, D. Francisca Valério, sobre quem escrevemos em postal anterior.

(O Srº Tavares, a D. Beatriz e D. Genoveva, os três solteiros. D. Joaquina, casada com Srº João Calado Machado, o “Sr. Machadinho” e D. Maria, mulher do Srº João Lopes. Foram os herdeiros.)

 

Foi ele que mandou construir a casa, que atualmente é nossa, em 1911, para a sua governanta, a Srª Conceição “Cega”, que era cega de uma das vistas. Na frontaria da casa também deixou a sua marca identitária: J: P: D: e respetiva datação 7 4 1911.

Ele morava na casa atualmente da Prima Maria Constança que delimita e inicia a Travessa do Fundão, a Sul. A nossa, a Norte. Ambas na Rua Larga.

Na sua casa também tem datação, na antiga adega: J P D 3 900.

 (São estas datas: 1900, 1901 e 1911, que me permitem inferir sobre espaço temporal de respetiva vivência.)

O Sr. J. P. Dias, que também era cego dos dois olhos, cegou na sequência da rebentação de um tiro de pedreira. Um buraco ficara encravado com a pólvora que não rebentara, quando os cabouqueiros tentavam partir pedra, para construir o monte de Sampaio. No dia seguinte, ele tentou desencravar com um prego grande de ferro e a pólvora rebentou. Assim ficou cego.

A Srª Conceição “Cega” ficou com a casa em usufruto até morrer. Após o seu passamento a casa reverteu para os herdeiros naturais de J. P. Dias. No caso, D. Alice, já 2ª sobrinha, filha de D. Maria e de Srº João Lopes. Esta senhora estava casada com o senhor António Matias. Viviam em Monte da Pedra. (Fui a casa destes senhores algumas vezes, na segunda metade da década de sessenta, acompanhando o Sr. Padre José Maria, quando este ia celebrar missa aos domingos ao Monte da Pedra, pois eu era o sacristão. Estes senhores, por vezes, convidavam o prior para petiscar. Tinham grandes lumes no Inverno, onde assavam chouriços e cacholeiras, num espeto, à borralheira. Para mim, à data, ultrapassava completamente a minha realidade e imaginário!)

 

Voltando à narrativa fundamental… que isto da “conversa é como as cerejas”…

O Srº Joaquim Pedro Dias também terá deixado marca identitária na Horta de Sampaio?! Hei-de perguntar ao atual proprietário.

 

Também contarei ainda mais uma narrativa sobre este senhor e outra horta que também era sua: a “Horta do Carrasqueiro”. A Mãe informou-me que aí também há “escritas”. Algo a pesquisar e confirmar “in loco”.

 

Obrigado por nos acompanhar nestas narrações. Muita Saúde. E Paz!

 

18
Fev22

Ermida de São Pedro – Aldeia da Mata

Francisco Carita Mata

Ermida de São Pedro. Foto Original. 2021.09.01.jpg

Continuamos com a divulgação do Património de Aldeia da Mata. Já abordámos as Fontes. A Casa-Museu. A Ribeira das Pedras, a ponte, as passadeiras, a nora… as cheias!

Pois, neste postal nº 48, divulgamos a Ermida de São Pedro e o Cruzeiro.

Quem se dirigir a Aldeia da Mata, a partir do lado Norte, logo após atravessar a Ponte da Ribeira das Pedras, não segue em frente, pela Estrada Nova. A escassos cinquenta metros da ponte, corta no primeiro desvio à direita, subindo, e logo entra precisamente na Rua de São Pedro, avistando ao cimo da Rua, a Sul, o mencionado Cruzeiro, também a pouco mais de meia centena de metros. Ladeando este, vê a singela, mas peculiar Ermida, conforme a foto documenta. Frontaria de estrutura simples, virada a Leste. Uma porta e encimando esta, uma janela e sobre ela uma placa de granito. No topo da fachada uma cruz também de granito e de trabalho bem interessante, lembrando um floreado. Um campanário exterior. Toda a estrutura assenta num alpendre, também olhando o Nascente, a que se acede por uma escadaria, do lado Sul.

No lado oposto da escadaria, a Este, o cruzeiro, com a datação: 1672. Séc. XVII, portanto.

Se conhece a Ermida…

Talvez nunca tenha reparado na placa em granito que encima a janela da frontaria.

Na pressa com que sempre nos deslocamos, como se nunca tivéssemos tempo de chegar, passam-nos ao lado milhentas coisas… e loisas.

Esta será uma das muitas de que nos desapercebemos e muito boa e santa gente dirá: “Mas que interessa isso?!”

Mas se tiver oportunidade e vagar e a luz do sol ajudar, conseguirá ler:

 

MANDOU

FAZER

J.P. DIAS

1901

 

E quem terá sido J. P. Dias?!

 

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