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Apeadeiro da Mata

Apeadeiro da Mata

15
Jan22

Fonte do Boneco: Poesia de J. G. da Purificação

Francisco Carita Mata

Quadras do Sr. João: João Guerreiro da Purificação 

Fonte do Boneco I Foto original. 2021.12.01.jpg

«Fonte do Boneco»

 

«A nossa Fonte do Boneco

A nenhuma se pode igualar.

Não tem fama a fazer eco

Para dela se ouvir falar.

 

Se não é muito procurada

E o povo dela se esquece

Ela no Verão não corre nada

Quando a água mais apetece.

 

Nome engraçado ela tem

Para não nos ser esquecida

Se não fosse a rir alguém

Brincava com ela toda a vida.

 

Tem um feitio diferente

De todas as que há por aí

Por isso o diz muita gente

Fonte tão linda está ali.

 

Mesmo correndo se espera

Nesta fonte quando corre

Já vem assim de larga era

Até ao Verão quando morre.

 

Fica perto do povoado

Sem safras nem má caminho

Por isto ao povo tem dado

Amor e muito carinho.»

Fonte do Boneco III. Foto original. 2021.12.01.jpg

 In. “ANTA” Poesias - João Guerreiro da Purificação – Aldeia da Mata – 1992 – Edição de Autor – Gráfica Almondina, Torres Novas. (pag. 59)

Placa de Caminho para Fonte. Foto Original. 2021.07.09.jpg

Continuamos com as Fontes públicas de Aldeia, aquelas aonde habitualmente os habitantes iam buscar água para as necessidades básicas: para beber, para confecionar alimentos, para higiene. Antes de haver água canalizada ao domicílio. Ir buscar água às fontes era uma tarefa quase exclusiva do sexo feminino.

E também onde levavam os animais a beber. Esta era uma tarefa predominantemente masculina.

Bebedouro do gado. Foto Original. 2021.12.01.jpg

Esta fonte, atualmente, desde meados de 2021, está incluída nos Roteiros de Percursos Pedestres. Num “Percurso Histórico”. Escreverei sobre o tema. Muita Saúde e muito Obrigado.

Caro/a Leitor/a, espero que tenha gostado do passeio, cujo caminho a foto seguinte documenta.

E das bonitas e sugestivas Quadras do "Srº João", formando a linda Poesia transcrita, com a devida vénia e reconhecimento. Faz parte do "Património Imaterial" de Aldeia da Mata.

Renovados Agradecimentos!

15
Dez21

A Fonte D’Ordem!

Francisco Carita Mata

Um Testemunho do Passado! A “Caraça” da Fonte da Ordem!

Caraça fonte da ordem. Foto original. 2021.02.01.jpg

Um relato de um motim e duas quadras alusivas.

Só hoje consigo voltar às Fontes. E, especificamente, à Fonte D’Ordem, a partir de sugestão de “Aquém – Tejo”! Outros afazeres…

A “Fonte D’Ordem”, da Ordem, frise-se, Ordem Militar de Malta, será das fontes mais antigas da Aldeia. Era uma fonte de mergulho, de que me lembro muito bem. Foi remodelada, isto é, fechada, certamente na época em que arranjaram também a “Fonte das Pulhas”, cuja data está registada: 1989. Deduzo eu, que não confirmei, indaguei ou pesquisei especificamente.

No referente à Fonte das Pulhas, de que me lembro, também muito bem, ser de mergulho, penso que agiram corretamente. A água é boa, é relativamente abundante. Algumas pessoas vão lá buscar água. Nós, também. Assim é bem aproveitada. A ser de mergulho, seria menos apetecível de recolher o precioso líquido.

Fonte da ordem. Foto original. 2021.07.09. jpg

Quanto à Fonte D’Ordem, penso que teria ficado melhor como estava, testemunhando um modelo de fonte antiga. Desde que me lembro, anos sessenta, a respetiva água era considerada imprópria para consumo. Todavia está como documentam as fotos e não há nada a fazer. Acontece nas mais variadas situações, lugares e tempos, efetuarem-se obras nos mais diversos testemunhos do passado, alterando-os, sem que daí advenham especiais benefícios. (Tenho dito!)

Fonte da Ordem. Foto original. 2021.12.01.jpg

Essa categorização de “imprópria para consumo” é anterior aos anos sessenta. Não sei precisar data exata.

Essa ação desencadeou, nomeadamente, um motim sobre que João Guerreiro da Purificação, no seu livro póstumo, “a nossa terra”, Edição “Há Cultura”, 2000, pag. 148, relata o seguinte: «…Nessa época, a Fonte d'Ordem era muito procurada pelo povo, e como nas nossas fontes se sentia uma enorme falta de água, o povo amotinou-se quando as autoridades a mandaram entupir a pretexto de ser imprópria para consumo, logo numa altura de tanta escassez. Só que o povo não lhes deu ouvidos, principalmente as mulheres, que se encheram de coragem e desentupiram a fonte, para as continuar servindo com a sua água. (…)

Na ocasião do motim, o Senhor Joaquim Paulo Sequeira, inspirado com o sucedido, fez umas quadras, das quais só consegui saber as duas que se seguem.

Eu cá sou a Fonte d’Ordem

Meu nome não é de negar

Tanto ao rico como ao pobre

Eu ajudei a criar.

 

Foi enorme ingratidão

Mataram-me sem razão

Pois quando me pediam água

Eu jamais disse não.»

Carranca da Fonte da Ordem. Foto Original. 2021.12.01.jpg

E, por agora, me fico por aqui. Que ainda voltarei às Fontes. E, em Poesia!

Saúde! E, Obrigado!

 

 

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