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Apeadeiro da Mata

Apeadeiro da Mata

11
Nov21

"Vamos dar de beber… à Dor"?

Francisco Carita Mata

Em “Dia de São Martinho” é o que apetece, não?!

Mas não. Vamos beber, sim, mas ainda na Fonte da Bica e num texto original.

Fonte da Bica. Geral. 2021.09.01.jpg

A Fonte da Bica: Descrição de J. Guerreiro da Purificação

«A Fonte da Bica»

Fonte, aspeto central. Foto original. 2021.09.01.jpg

«As nascentes vêm de duas minas do terreno do Senhor António Marques, ou seja, do chão que fica em frente quando se sobe a azinhaga onde está a arca, a pouca distância desta. Estas minas foram abertas pelo Senhor Joaquim Paté Caldeira (o Ti Torrado).

Arca da Fonte. Foto original. 2021.07.09.jpg

A arca desta fonte foi feita depois de ter havido um desastre na primeira. Um caso estranho e que passo a contar. A primeira arca da fonte estava construída no meio da azinhaga, um pouco mais acima da direcção da actual, mas soterrada para o trânsito ficar livre. Mas um dia aconteceu que uma vaca do Senhor José Durão, o antigo dono do terreno onde estão as minas, meteu as patas por entre os cascões de pedra que tapavam a arca. Depois, só com a ajuda de vários homens conseguiram tirar de lá o animal.

Azinhaga acima da Arca da Fonte. Foto original. 2021.07.09.jpg

A Fonte da Bica, é das fontes da terra, a mais procurada pelo nosso povo. Há uns anos, antes de haver água canalizada e a Aldeia com mais povoação, a água desta fonte no Verão era todos os anos muito pouca, o que originava a tão maçadora “espera”.»

A Bica. Foto original. 2021.09.01.jpg

In. “A Nossa Terra” – Purificação, João Guerreiro da – Há Cultura / Associação de Amizade à Infância e Terceira Idade de Aldeia da Mata, 2000. Pag.s 146, 147.

(João Guerreiro da Purificação – Aldeia da Mata – 10/07/1927 – 17/12/1997.)

Fonte da Bica. Geral. Foto Original. 2021.07.09.jpg

Continuo a divulgar as “Fontes de Aldeia”, ilustrando os postais com imagens globais ou parcelares das mesmas.

Divulgo igualmente textos do livro supracitado, de Autoria do “Senhor João”. Assim vou dando a conhecer parte do Património material e imaterial, referente a Aldeia da Mata. Estes textos contêm referências à localidade, reportando-se a um tempo muito diverso daquele que conhecemos hoje.

O “trânsito” referido reporta-se a carros movidos por tração animal: muares: machos, mulas, burros, burras e vacas. O episódio referenciado menciona uma situação dessas. Situar-se-á aí pelos anos trinta, quarenta, do séc. XX. Talvez! Até finais dos anos setenta ainda havia muitos carros puxados por tração animal. Os carros motorizados, em Portugal, só se generalizaram a partir da segunda metade desta década, mercê da melhoria generalizada das condições de vida, especialmente das classes trabalhadoras.

Outro termo citado, a “espera”. Refere-se ao facto de, no Verão, as nascentes das fontes serem mais fracas, pelo que corria menos água nas bicas. Como a procura era bastante, dado não haver água canalizada, as pessoas que iam às fontes, quase exclusivamente as mulheres, ficavam esperando, na respetiva “vez”, isto é, ordem de chegada, até que a água voltasse a correr na bica. Para encherem os cântaros, os asados, as infusas.

Lembro-me da instalação da água canalizada na Aldeia e da abertura de canos por todas as ruas. Corria o ano de 1966! A instalação dos esgotos ocorreu bem depois. Já nos finais de setenta ou inícios de oitenta. (Não me lembro com precisão.)

Mas não pense que estas situações de carências de bens e serviços que hoje consideramos básicos eram especificas das Aldeias. Eram comuns nas Cidades também. Atingiam proporções e condições ainda bem piores do que ocorria no Interior. Basta lembrar os “bairros de lata”, que enxameavam toda a Grande Lisboa!

Nos terrenos do supermoderno “Parque das Nações” existia a célebre “Lixeira de Beirolas”. Frisar que foi a “Expo 98”, que despoletou a requalificação de todo aquele espaço.

Só para lembrar este Portugal, ainda recente, que fomos!

Muito Obrigado e Muita Saúde!

 

13
Out21

Arranjo da valeta no “Vale de Baixo”

Francisco Carita Mata

A propósito de “Muita areia para a minha camioneta”!

Cano da valeta. Foto original. 2021.10.07.jpg

(A foto anterior ilustra o que eu já fizera.)

Obrigado é uma palavra muito bonita. Gosto sempre de agradecer.

E, por isso, estou grato à Junta de Freguesia de Aldeia da Mata, pela forma expedita como responderam à minha solicitação.

Apresentara a situação diretamente, por mail; indiretamente, através do blogue, no postal “Muita areia para a minha camioneta”. Presencialmente, na 4ª feira, dia 06/10, antes da reunião semanal.

Houve concordância imediata, sem quaisquer entraves. Ficou combinado que 6ª feira, dia 08/10, pelas 8 horas, o funcionário adstrito a estas funções seria disponibilizado para a atividade.

E assim foi. Obrigado, também ao Srº Carlos, pelo desempenho da tarefa proposta. Houve sintonia entre todos os intervenientes.

Parabéns e Obrigado a todos: executivos e funcionários da Junta de Freguesia de Aldeia da Mata.

As fotos ilustram excertos do trabalho.

A execução da tarefa pelo funcionário, com a máquina.

Execução da máquina. Foto original. 2021.10.08.jpg

O trabalho concluído pelo funcionário.

Trabalho concluído. Foto original. 2021.10.08.jpg

Foto da valeta antes da intervenção. Para comparação.

Valeta antes da intervenção. Foto original. 2021.10.07.jpg

Também houve trabalho subsequente com a minha intervenção e as minhas máquinas. Melhor, as ferramentas: enxada, sempre presente; o ancinho, a forquilha, a tesoura das sebes e a pá.

Trabalho manual. Foto original. 2021.10.08.jpg

Com a enxada, o instrumento mais utilizado, retirei parte da areia, gravilha e terra, que ficou na valeta. Puxei para o exterior. Deixei um “parapeito” largo, de modo que a terra não volte à valeta quando chover.

Com o ancinho aliso essa terra, retirando as balsas cortadas, verdes e secas. As verdes que, a ficarem na terra, reverdecerão crescendo. As secas, para que o gado as não pise e não se magoe.

Junto-as em magote e com o ancinho e a forquilha, transporto-as para a parede, de modo que os javalis não atirem com as pedras do muro.

Com a tesoura de aparar sebes, corto ramos de silvas que a máquina não cortou, de modo que a parede vegetal constituída pelas balsas fique mais organizada.

Com a pá vou atirando alguma areia e terra que ficou acumulada em maior quantidade.

Sim, há muito trabalho que tem de ser feito manualmente.

Trabalho manual. Foto original. 2021.10.08.jpg

Mas este trabalho mais artesanal não poderia ter sido feito sem a intervenção da máquina.

Há um complemento de ambos. Trabalho mecânico e trabalho artesanal e braçal.

Daí o meu agradecimento. A Junta cumpriu o seu dever. Parabéns e Obrigado.

E um reparo para os Habitantes da Aldeia, Aldeões, como eu.

A imagem seguinte apresenta parte do lixo, em plásticos, latas e vidros, que encontrei na sequência da limpeza da valeta. Que encheu um vaso!

Lixo. Foto original. 2021.10.08.jpg

Reflita sobre isso. E coloque os lixos nos recipientes certos.

(Estas atividades executaram-se maioritariamente de manhã. Eu ainda voltei de tarde.)

E não posso deixar de frisar um reparo.

De tarde, constatei que no célebre “cruzamento” da “Azinhaga da Atafona” / Travessa do Fundão, com a “Azinhaga do Poço dos Cães” voltou a ser reposta gravilha.

Gravilha no cruzamento. Foto Original. 2021.10.09.jpg

E que significado tem tal facto?!

Que, quando chover, grande parte desse material escorrerá direito à célebre valeta, acabada de limpar. Não gostei.

O que fazer?! Isso será tema para futuro postal.

Haja Saúde! E, Obrigado!

 

12
Set21

A Caminho da Fonte das Pulhas

Francisco Carita Mata

Hoje, a proposta de passeio é à Fonte das Pulhas.

Fonte das Pulhas. Foto Original. 2021.07.08.jpg

Sugestão: ir a pé. Faça essa caminhada, SFF. Pela sua Saúde. Bem sei que tem uma barreira um pouco difícil de subir, no regresso e exigente de cuidados a descer, na ida.

Mas vá. Com cuidados redobrados nessa zona.

Primeira recomendação: Não deixe qualquer lixo ou porcarias no caminho. Recomendação para todas as pessoas que percorrem esse caminho. Já bastam os javalis!

Muito menos nas redondezas da Fonte. Siga as recomendações do Srº João Guerreiro da Purificação, registadas em bonita quadra, num dos azulejos do singelo fontanário.

E, como "o caminho se faz caminhando…"

Azinhaga do Poço dos Cães. Foto Original. 2021.07.08.jpg

Inicia-se junto à Igreja Matriz, vai descendo, sentido Sul - Norte, pela Azinhaga do Poço dos Cães, inflete-se para a esquerda, Oeste, pela designada Azinhaga da Fonte das Pulhas ou do Porcozunho, uma vez que se dirige aos dois locais, que ambos bordejam a respetiva Ribeira do Porcozunho. A fonte, na margem esquerda, a horta, na margem direita.

(Na imagem supra, a sombra do poste indica o caminho. Na foto, lado direito, porque esta foi tirada no sentido oposto.)

Caminhos marcantes e identitários de ancestralidade, percorridos pelos nossos antepassados, ao longo de centenas ou milhares de anos, comprovados, por ex., pelas oliveiras que os bordejam, de escala temporal milenar.

Interesse-se pela vegetação autóctone: Sanguinho

Sanguinho. Foto Original. 2021.07.08.jpg

Observe a ação devastadora dos javalis

Ação dos javalis. Foto Original. 2021.07.08.jpg

Colha amoras, se for no tempo delas.

Amoras. Foto original. 2021.07.21.jpg

Um ramo de loureiro, um raminho de alecrim, no regresso. Uns figos, mas não à hora do calor. Uns figos da Índia, se for capaz.

Caminho do Porcozunho. Foto Original. 2021.07.08.jpg

Antes, beba água na fonte. Utilize o cocho.

Cocho. Foto original. 2021.07.08.jpg

Traga uma garrafa de água ou duas, se puder.

Aprecie a paisagem circundante.

Monte acima da Horta do Porcozunho. Foto Original. 2021.07.08.jpg

E, dir-me-á se é ou não é um passeio salutar! Haja Saúde!

E conseguiu ver as passadeiras ou alpondras ou poldras?!

E o nome: Fonte das Pulhas! Peculiar. O que estará na base deste nome?!

Agora, uma curiosidade literária. No livro “O Lugar das Árvores Tristes”, a Autora, Lénia Rufino, com ascendentes maternos na Aldeia, nomeia um lugar de ação da narrativa como “Fonte dos Pulos”. Será que se inspirou, de certo modo, nesta Fonte ou na Fonte do Salto?!

*******

Às Entidades competentes:

Organizem, estruturem passeios pedestres pelas Fontes

Por “Fontes, Passadeiras e Pontes…”

E aos passeantes ou utentes: Não deixem lixo. Não conspurquem o caminho!

Grato pela sua atenção!

 

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