Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Apeadeiro da Mata

Apeadeiro da Mata

25
Mai22

Poesia dedicada às Fontes de Aldeia da Mata

Francisco Carita Mata

De: «Falcão da Costa / Poeta»

Açucenas a caminho das Pulhas. Foto original. 2022.05.17. jpg

«As Fontes da Minha Terra»

 

«Pus-me um dia a caminhar

Fui ver as fontes da minha terra

E assim pude apreciar

Monumentos de outra era

 

Fui e vi logo a fonte da Bica

Com a sua torneira amarela

E que bem perto fica

Quase junto à nossa janela

 

Caminhei e vi a fonte de Salto

De água pura tão fresquinha

Espera lá no alto

Que enchas a cantarinha

 

Mais adiante vi a fonte das Pulhas

Virada para o Salgueirinho

E no meio das pedregulhas

Vi a beber um passarinho

 

Dei a volta subi ao outeiro

Olhei! e lá no fundeiro

Vi a fonte de Alter

Junto ao caminho do apeadeiro

 

Foi um dia que não esqueço

Andar por estes caminhos

A fonte de Ordem dentro do povo

A do Boneco virada para Pucarinhos»

 

«Falcão da Costa / Poeta»

 

Parabéns ao Sr. Falcão e Obrigado por disponibilizar estas quadras para publicação, enriquecendo o nosso "Apeadeiro da Mata".

 

*******

 

Também em “Apeadeiro da Mata”, voltamos com Poesia. Estas seis quadras, do Srº Falcão, também Poeta. Dedicadas às nossas Fontes. Monumentos singelos, é certo, mas de grande valor. Embora, atualmente, o respetivo valor de uso, não tenha comparação com o que tinham até aos anos sessenta, quando foi instalada a distribuição de água ao domicílio, elas são ainda muito valiosas. Têm um valor cultural, estético, etnográfico. São verdadeiras Obras de Arte. Saibamos nós apreciá-las. E ainda nos fornecem a preciosa água, embora nem todas com a mesma qualidade. A melhor água, minha opinião, é a da Fonte do Salto.

A respetiva limpeza, embelezamento, cuidados de higiene, não deixar lixos, é um dever de nós todos, Cidadãos Matenses ou não! E dos nossos Orgãos Autárquicos, claro!

Mantenham-nas simples, asseadas, e todos ganhamos.

E para quando enquadrá-las em “Percursos Pedestres”?!

Ilustro com foto das Açucenas, a Caminho da Fonte das Pulhas.

E, com este Poema em quadras, continuamos a divulgar Poetas de Aldeia da Mata.

 

21
Mar22

Poema de J. G. P. em "Dia Mundial da Poesia"

Francisco Carita Mata

«Fonte do Salto»

(Poesia de João Guerreiro da Purificação)

 

«Aqui estou,

Com montes de saudades,

De ti,

E das pedras

Que aqui piso com amor,

E daquelas

Que não posso lá chegar

Para beijar.

Aqui estou,

Para beber,

Só beber,

E falar contigo

Até querer,

E ficar

Como se fosse desejado.

Ali está a velha ponte

Com água suja a passar,

Fedorenta e sem vida

Ao pé da tua tão pura.

Ó fonte do salto,

Minha amiga

Das horas más,

Minha esperança.

 

Aqui estou

Não em pensamento

Nem empurrado pelo vento,

Aqui estou

Com o que resta de mim!...

Ah!… Fonte do salto,

Como foi ,

Este caminho

Que contigo no pensamento!...

Percorri,

Mas se a chorar,

Prometi voltar

Para beber da tua água,

Aqui estou,

Bebendo, bebendo

A água pura que vem de ti

Como jurei,

Lá muito longe,

Que viria beber

Da tua bica,

Aqui.»

  

In. “ANTA” Poesias - João Guerreiro da Purificação – Aldeia da Mata – 1992 – Edição de Autor – Gráfica Almondina, Torres Novas. (pag. 92)

******* 

Há algum tempo que não publico textos em “Apeadeiro da Mata”.

Hoje, dia 21 de Março de 2022, “Dia Mundial da Poesia”, um Poema lindíssimo do Sr. João. Sobre a “Fonte do Salto”!

(O poema terá sido escrito em época em que a “Ribeira de Cujancas” corria de água suja, devido ao lagar existente junto a Vale do Peso. Atualmente esse lagar já não funciona, há alguns anos, e a água corre mais limpa.)

(Continuamos na divulgação de “Património Imaterial de Aldeia da Mata”.)

 

Ontem, em “Aquém-Tejo”, também houve direito a Poesia: “Primavera e Paz”!

Ligação para outros poemas sobre Fontes. E também com Fotos:

Fonte-de-alter-poesia

Fonte-do-boneco-poesia

Fonte-do-salto-poesia 

Votos de Saúde e de Paz!

 

16
Jan22

Fonte de Alter: Poesia de J. G. da Purificação

Francisco Carita Mata

Quadras do Sr. João: João Guerreiro da Purificação

Fonte de Alter I. Foto Original. 2021.12.01.jpg

«Fonte de Alter»

Fonte de Alter II. Foto Original. 2021.12.01.jpg

«Se vou e venho da estação

Ou andar por ali perto

Bebo à bica com a mão

No seu correr sempre certo.

 

Foi de mergulho e servia

Pois muita sede tapou

Já lá vai longe esse dia

Hoje só a saudade ficou.

 

Não é a fonte mais querida

Das fontes que nos dão de beber

Mas foi há muito concorrida

Quando de mergulho podem crer.

 

Não sei qual foi a intenção

Em ser a FONTE DE ALTER

Seria por ALTER DO CHÃO?

Ou por outra coisa qualquer?

 

Não interessa o nome que tem

Para a ALDEIA tanto faz

Mas o bem que a fazer vem

Desde agora para trás.

 

Se à cabeça da mulher

O asado já não se vê

Não deixa de ser FONTE D’ALTER

Com água à nossa mercê.»

In. “ANTA” Poesias - João Guerreiro da Purificação – Aldeia da Mata – 1992 – Edição de Autor – Gráfica Almondina, Torres Novas. (pag. 60)

Caminho do Apeadeiro. Foto Original. 2021.12.01.jpg

Esta Fonte, no caminho do Apeadeiro, junto à estrada para Alter do Chão, quase no respetivo concelho, que o limite da freguesia de Aldeia da Mata e concelho do Crato fica muito perto, a Sul, na direção da referida Vila.

Na divulgação do Património de Aldeia da Mata continuamos com as Fontes, especificamente a “Fonte de Alter”, já apresentada no blogue.

Mas o realce é a Poesia do “Sr. João” – João Guerreiro da Purificação, sobre esta Fonte em particular, como já aconteceu relativamente a outras Fontes públicas. Divulgamos assim também “Património Imaterial de Aldeia da Mata”!

Fonte Alter V. Foto Original. 2021.12.01.jpg

Caro/a Leitor/a, espero que tenha gostado. Obrigado.

 

15
Jan22

Fonte do Boneco: Poesia de J. G. da Purificação

Francisco Carita Mata

Quadras do Sr. João: João Guerreiro da Purificação 

Fonte do Boneco I Foto original. 2021.12.01.jpg

«Fonte do Boneco»

 

«A nossa Fonte do Boneco

A nenhuma se pode igualar.

Não tem fama a fazer eco

Para dela se ouvir falar.

 

Se não é muito procurada

E o povo dela se esquece

Ela no Verão não corre nada

Quando a água mais apetece.

 

Nome engraçado ela tem

Para não nos ser esquecida

Se não fosse a rir alguém

Brincava com ela toda a vida.

 

Tem um feitio diferente

De todas as que há por aí

Por isso o diz muita gente

Fonte tão linda está ali.

 

Mesmo correndo se espera

Nesta fonte quando corre

Já vem assim de larga era

Até ao Verão quando morre.

 

Fica perto do povoado

Sem safras nem má caminho

Por isto ao povo tem dado

Amor e muito carinho.»

Fonte do Boneco III. Foto original. 2021.12.01.jpg

 In. “ANTA” Poesias - João Guerreiro da Purificação – Aldeia da Mata – 1992 – Edição de Autor – Gráfica Almondina, Torres Novas. (pag. 59)

Placa de Caminho para Fonte. Foto Original. 2021.07.09.jpg

Continuamos com as Fontes públicas de Aldeia, aquelas aonde habitualmente os habitantes iam buscar água para as necessidades básicas: para beber, para confecionar alimentos, para higiene. Antes de haver água canalizada ao domicílio. Ir buscar água às fontes era uma tarefa quase exclusiva do sexo feminino.

E também onde levavam os animais a beber. Esta era uma tarefa predominantemente masculina.

Bebedouro do gado. Foto Original. 2021.12.01.jpg

Esta fonte, atualmente, desde meados de 2021, está incluída nos Roteiros de Percursos Pedestres. Num “Percurso Histórico”. Escreverei sobre o tema. Muita Saúde e muito Obrigado.

Caro/a Leitor/a, espero que tenha gostado do passeio, cujo caminho a foto seguinte documenta.

E das bonitas e sugestivas Quadras do "Srº João", formando a linda Poesia transcrita, com a devida vénia e reconhecimento. Faz parte do "Património Imaterial" de Aldeia da Mata.

Renovados Agradecimentos!

14
Jan22

Fonte do Salto: Poesia de J. G. da Purificação

Francisco Carita Mata

Quadras do Sr. João: João Guerreiro da Purificação 

Fonte do Salto e penedos. Foto Original. 2021.09.05.jpg

«Fonte do Salto»

Fonte do Salto. Frontaria. Foto Original. 2021.09.05.jpg

«Ó velha fonte do Salto,

Quem não te esquece sou eu

Nem as pedras lá do alto

Parecendo tocar o céu.

 

Ó linda fonte velhinha,

Com nascente numa frágua

Que tens toda a avezinha

Gostando da tua água.

 

Tu és rainha, como fonte,

Deixa-me dizer-te baixinho

Não ouça a fonte do Monte

A das Pulhas e Salgueirinho.

 

Já não ouves as crianças,

Brincando despreocupadas,

Nem o roçar das suas tranças

Nas tuas bicas douradas.

 

Junto a ti algumas asneiras

Eram ditas com doçura

Por lindas moças solteiras

Sorvendo a água pura.

 

Nem o eco perto ficou

Das cantigas doutra era

Toda a alegria acabou

E na Fonte havia espera.

 

Eu bem sinto o teu sofrer,

Assim como o rosmaninho,

Só quem pára para beber

É quem passa de caminho.

 

Só não muda a tua água

Saída das tuas bicas

Vem o tempo cura a mágoa

Tudo passa e tu ficas.

 

Tens a ribeira à tua frente

Correndo ao seu destino.

Ó Salto, fica contente

Não te julgues sozinho.

 

Estás aonde estamos

Esta verdade é certa

De ti todos te lembramos

Quando a sede aperta.»

 

In. “ANTA” Poesias - João Guerreiro da Purificação – Aldeia da Mata – 1992 – Edição de Autor – Gráfica Almondina, Torres Novas. (pag.s 16 e 17)

Fonte do Salto. Perspetiva de SW. Foto Original. 2021.09.05.jpg

Com este Postal Nº 39, em “Apeadeiro”, continuamos na divulgação do Património Material e Imaterial de Aldeia da Mata.

Retornamos às Fontes e, em Poesia! Lindas e sugestivas Quadras do Sr. João.

(Não sei quando esta Poesia terá sido escrita. Nela, o Autor lamenta, com nostalgia, o facto de a Fonte já não ser procurada para buscar água. Já havia distribuição da dita ao domicílio. Facto ocorrido na segunda metade da década de sessenta. O livro foi publicado em 1992. A criação das quadras terá ocorrido entre estas datas, suponho eu, claro!)

Continuaremos em futuros postais com esta temática das Fontes.

Caro/a Leitor/a: Muito Obrigado pela sua atenção. Votos de muita Saúde.

 

10
Nov21

Fonte da Bica: Quadras de J. Guerreiro da Purificação

Francisco Carita Mata

Fonte da Bica. Estrutura base. Foto original. 2021.07.09.jpg

«Fonte da Bica»

 

«Com paciência de velhinha

A transparecer de contente

Vens com a água fresquinha

Matando a sede à gente.

 

És rainha dos segredos

Das fontes da nossa terra

Também tens fama de medos

De há muito a esta era.

 

Humilde fonte da bica

Cercada de olivais

Quem te esquece, a dever fica,

Quem não te esquece, dá ais.

 

Ninguém sabe agradecer

As muitas sedes que mataste

Quem sabe se alguém ao beber

Alguma vida salvaste.

 

Os filhos da nossa terra

Que longe ganham seu pão

Lembram-se bem como era

Beber água na mão.

 

É lindo e tem sentido

Esta maneira de beber

Mas a dor fica contigo

Se alguém te vai esquecer.

 

Se bebo a tua água

Renasce-me a minha vida

De contente volta a mágoa

Ao lembrar a despedida.

 

Tens o Ribeirinho, por namorado,

Que te beija a toda a hora

E lá em cima o povoado

Zelando-te pelo tempo fora.

 

Nas noites quentes de verão

Com rouxinóis a cantar

Enche-nos de alegria o coração

Beber da tua água ao luar.

 

A fama dos teus medos

Que há muito de ti vem

Já não seriam segredos

Se não os guardasses tão bem.»

 

In. “ANTA” - Poesias. Pag. 19 - De João Guerreiro da Purificação. Aldeia da Mata – 1992.

 

Fonte da Bica. Aspeto Geral. Foto Original. 2021.07.09.jpg

P.S. – Com este postal, continuo na divulgação de Património de Aldeia da Mata.

Material: as Fontes, neste caso, a da Bica.

Imaterial: Poesia, de João Guerreiro da Purificação.

Espero que tenha gostado, Caro/a Leitor/a.

 

 

15
Set21

Fonte das Pulhas – Poesia

Francisco Carita Mata

Fonte das Pulhas. Foto Original. 2021.07.08.jpg

Quadras de Srº João Guerreiro da Purificação

Arca da Fonte. Foto original. 2021.07.08.jpg

«Fonte das Pulhas, quem seria

Que te deu um nome assim?

Alguém que sede trazia

Ou mentiu com algum fim.

 

Tu és fonte de mergulho

Sempre assim te conheci

Se do povo tens orgulho

O povo também tem de ti.

 

Dás de beber a quem vem lavar,

À ribeira tua vizinha,

E aos que banhos vêm dar

Nesta ribeira tão sozinha.

 

Que água boa e tão leve

Para os estômagos delicados

O povo muito te deve

E mais os adoentados.

 

Pareces estar esquecida

Neste cantinho tão feliz

Mas a tua graça é tida

Como qualquer chamariz.

 

Vem o Verão, vem o calor

Com o sol, sem dó, a queimar bem

E tu dás água com amor

A quem de muito longe vem.»

 

In. “ANTAPoesias - João Guerreiro da Purificação – Aldeia da Mata – 1992 – Edição de Autor – Gráfica Almondina, Torres Novas.

*******

P.S. – Com este postal, agora, em “Apeadeiro da Matta”, damos continuidade à divulgação de Património de Aldeia da Mata. Património Material: as Fontes, neste caso da Fonte das Pulhas e Imaterial: Poesia. De Srº João Guerreiro da Purificação. As Quadras e as ideias e sentimentos nelas expressos são, por demais, relevantes.

Espero que goste.

A fonte era de mergulho.

Atualmente, desde 1989, o local onde estava a antiga fonte de mergulho foi arranjado, protegido e, agora, é a designada “arca da fonte”. A fonte propriamente dita, com a torneira para se obter a água, está um pouco mais abaixo, quase na Ribeira do Porcozunho.

Penso que as fotos são elucidativas.

Ribeira do Porcozunho. Foto original. 2021.07.08.jpg

Apresento também fotos dos espaços envolventes, alguns bem sugestivos.

Aprecie esta imagem, SFF!

Pedras e pedras. Foto original. 2021.07.08.jpg

O que lhe sugere?!

...   ...   ...   ...   ...   ...   ...

Obrigado pela sua atenção. E votos de muita Saúde.

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2021
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D