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Apeadeiro da Mata

Apeadeiro da Mata

01
Mar22

Quem foi J. P. Dias?!

Francisco Carita Mata

Joaquim Pedro Dias, também conhecido por Srº Joaquim Pedro “Cego”!

 

Volto a socorrer-me de “A Nossa Terra” – Purificação, João Guerreiro da – Há Cultura / Associação de Amizade à Infância e Terceira Idade de Aldeia da Mata, 2000. pág.189.

 

«Capela de S. Pedro»

«O Senhor Joaquim Pedro Dias mandou reconstruir esta capela que estava em ruínas. Conta o povo que esta obra foi por uma promessa que fez se pudesse ficar a dirigir a sua casa agrícola depois de ter cegado, motivado por um tiro de pedreira, quando estava numa pedreira em Sampaio junto dos cabouqueiros a ver partir a pedra para fazer o Monte deste Couto. Algumas propriedades deste senhor foram: Murtal, Chamorro, Cujancas, Couto de Sampaio e Mato de Alter.»

 

À data, este senhor seria a pessoa mais rica da Aldeia. Era também conhecido por Joaquim Pedro “Cego”, em resultado do acidente anteriormente referido.

Consultando ainda o livro supracitado, pág. 133, uma verdadeira “Enciclopédia sobre Aldeia da Mata do século XX”, deduz-se que a respetiva riqueza patrimonial resultou de heranças. A mãe deste senhor … «casou quatro vezes e todos os maridos possuíam fortuna, e só no quarto casamento nasceu um filho, o Senhor Joaquim Pedro Cego, como era conhecido, e a Senhora D. Francisca Valério.»

 

Segundo dados documentais registados em pedra, pelo menos em três locais de Aldeia da Mata, viveu no século XIX e primeiras décadas do séc. XX. (Não sei exatamente data de nascimento nem de falecimento.) Os locais que conheço, em que este senhor deixou marca identitária, para além da referia Ermida, são duas casas na Rua Larga.

De certo modo, constatando este hábito de J. P. Dias assinalar e “assinar” as suas Obras, certamente haverá registos semelhantes noutras propriedades que lhe pertenceram. E surpreende-me que na Fonte do Salto, para cujo arranjo também contribuiu, não se observar nenhuma “assinatura”!

No domínio das curiosidades sobre o Sr. Joaquim Pedro “Cego” ainda relatarei mais algumas ocorrências.

 

E, por vezes, nem de propósito…

No pretérito dia dois de Fevereiro, “Dia da Senhora das Candeias”, a meio da tarde, andava eu num dos meus “escritórios” no “entroncamento” da “Azinhaga do Poço dos Cães” com a da “Fonte das Pulhas”. Passou o Sr. José da Costa Domingos. (Matense, 84 anos, 1937.)

Proseámos um pouco.

Lembra-se da cheia de 1959, trabalhava também nas pedreiras graníticas, dos “Cortessais” e da Tapada da Ribeira. Também se recorda da Ponte da Ribeira do Salto, antes de esta ter sido parcialmente destruída por essa enchente. Era em lajedo e tinha uns parapeitos baixos de pedra.

Sobre a “Ermida de S. Pedro” lembra-se que o pai lhe contara que o Srº Joaquim Pedro “Cego” acordara com o Srº Gouveia que mandaria fazer a Ermida, caso este senhor cedesse terreno do seu quintal, espaço das atuais “Quintas de Cima e de Baixo”, para fazer a atualmente designada “Estrada Nova”. Até essa data (1900/1901?) a entrada para Aldeia, provindo do Norte, era pela Rua de São Pedro, que ainda hoje é muito inclinada e que não era calcetada. Dificultava muito o “trânsito” da época, especialmente carros de bois muito carregados e quando era necessário puxar a máquina da debulha que ia para a eira da “Soalheira”.

Ambas as Obras estão feitas.

(Haverá documentos escritos sobre tal?!)

Face à motivação transcrita no livro citado, pode parecer haver divergência, mas talvez seja apenas aparente. Provavelmente ambos os motivos têm consistência. Um mais de ordem espiritual, outro mais prático. Ambos condizentes ao mesmo objetivo.

 

(E sobre J. P. Dias – Joaquim Pedro Dias – Srº Joaquim Pedro “Cego”, ainda contaremos mais algumas narrativas.)

 

24
Out21

Conhecer a realidade, no próprio local!

Francisco Carita Mata

Pôr do Sol. Foto original. 2021.09.01.jpg

 

Uma visita à Rua Larga e Travessa do Fundão, na Aldeia “Velha”!

 

Na passada 4ª feira, vinte de Outubro, tivemos a visita à Aldeia “Velha”, de Engº João Marques, da Proteção Civil da Câmara Municipal do Crato.

Uma observação in loco, a alguns espaços de Aldeia, onde a ação dos respetivos Serviços será necessária. Foi um “assentar os pés no chão”, parafraseando, de certo modo, uma sua expressão que traduz a necessidade de perceção da realidade, indo aos locais próprios. É preciso ir ao terreno, para perceber as problemáticas subjacentes. Ideia / Princípio que subscrevo totalmente.

Que Aldeia não é só os espaços mais modernos, os clubes e locais de convívio. Aldeia é antes de tudo o mais, o conjunto dos “terrenos” em que se insere e se inscreve a respetiva identidade cultural e ancestral. Tenho dito!

A visita inseriu-se no contexto de pedidos formulados anteriormente, para algumas questões que precisam de resolução, pelos danos já causados ou que eventualmente possam vir a causar.

Alguns já foram temas dos blogues.

A questão das limpezas dos quintais de algumas casas na Rua Larga, cheios de pastos e matos. Que são um perigo!

O enxame de abelhas na Travessa do Fundão, no antigamente designado “Palheiro dos Pobres”. Abelhas que têm feito das delas. Isto é, têm picado, como é respetivo apanágio. Inclusive a quem é alérgico. Um perigo acrescido!

Ficaram os problemas devidamente equacionados, no próprio espaço de intervenção. Houve sensibilidade para os assuntos, disponibilidade para o respetivo tratamento e futura execução.

Fiquei de obter os contactos dos proprietários dos territórios que, sendo particulares, têm os respetivos donos as sequentes obrigações. (Essa tarefa já está parcialmente executada. Estou diligenciando para saber os de todos.)

Outras questões também apresentadas reportaram-se à necessidade de colocar uma lâmpada no célebre poste do “Quintal de Drº Agostinho” e do arranjo do “entroncamento” da “Azinhaga da Atafona” / “Travessa do Fundão”. Assuntos também já abordados nos blogues.

Azinhaga. Foto Original. 2021.09.20.jpg

Fomos até ao “Vale de Baixo”, para percebermos, nos locais próprios, como tudo se interrelaciona.

Disponibilidade para concretizar as propostas/pedidos, bem como a respetiva perceção, ficou bem patente.

Agora, iremos continuar pugnando para a consequente realização.

Obrigado pela atenção demonstrada.

Igreja e Araucária. Foto Original. 2021.09.23.jpg

A Aldeia “Velha” e os territórios circundantes da Aldeia também precisam de ser uma fonte de inspiração e atenção para todos os Aldeãos.

Casa Museu. Foto Original. 2021.09.25.jpg

Até porque têm potencial de atração cultural no presente e no futuro. (As fotos reportam para tal.)

Caso sejam devidamente trabalhados.

Haja Saúde!

 

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